Do campo ao conhecimento: visitas técnicas fortalecem rede de produtores de cacau agroecológico no Sul da Bahia
- Peter Boos
- há 4 horas
- 3 min de leitura
Projeto INOVASUL Bahia aproxima equipe técnica e agricultores familiares para construir soluções coletivas e ampliar oportunidades na cadeia do cacau

O aroma do cacau cultivado à sombra da Mata Atlântica e o saber acumulado por gerações de agricultores familiares foram o ponto de partida para uma série de encontros que marcam o início de uma nova etapa para a produção agroecológica no Sul da Bahia. Ao longo da última semana, comunidades rurais e assentamentos da reforma agrária receberam a equipe técnica do Projeto INOVASUL Bahia, em uma agenda de visitas voltadas à escuta das comunidades, apresentação das ações do projeto e construção coletiva de caminhos para fortalecer a produção de cacau de qualidade.
As visitas ocorreram em comunidades dos municípios de Ibirapitanga, Camamu e Santa Luzia, reunindo agricultores familiares, lideranças comunitárias e representantes de organizações locais. Os encontros permitiram um contato mais próximo entre os produtores e a equipe responsável pela execução do projeto, além de abrir espaço para a troca de experiências e o levantamento das principais demandas das comunidades vinculadas à Cooperativa dos Assentados, Acampados e Quilombolas do Sul da Bahia (COOPCETA).

Segundo a engenheira agrônoma Gizele Magevski, que apresentou aos agricultores assentados a metodologia de trabalho adotada pelo projeto, a proposta é desenvolver as ações de forma participativa, respeitando os conhecimentos e a realidade de cada território.
“Nossa função é ajudar a organizar e sistematizar processos que muitas vezes já existem nas comunidades. A metodologia do projeto busca justamente valorizar o saber dos agricultores e, ao mesmo tempo, introduzir ferramentas técnicas que possam fortalecer a produção e ampliar as oportunidades de mercado”, explicou.
No Assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, onde parte das atividades foi realizada, o presidente da associação local, Luciano Silva, ressaltou a importância da iniciativa para os produtores da região.
“A gente vê esse projeto como uma oportunidade de fortalecer o que já estamos construindo aqui. Muitos agricultores produzem cacau de qualidade, mas ainda precisamos avançar em organização, conhecimento técnico e acesso a mercados”, afirmou.

Clodoaldo Silva Neto, integrante do assentamento e advogado, acompanha os processos organizacionais ligados ao movimento e às iniciativas coletivas da região. Ele destacou que os avanços conquistados pelas comunidades também dependem do fortalecimento institucional e do acesso a instrumentos jurídicos.
“Esse trabalho que está sendo desenvolvido aqui é resultado de um processo coletivo construído ao longo de muitos anos. Muitas pessoas da comunidade tiveram acesso ao ensino superior e a instrumentos jurídicos que não vieram para substituir o que já existia, mas para fortalecer esse caminho. Muitas conquistas dependem também do registro formal, de documentos, assinaturas e processos burocráticos que garantem segurança e reconhecimento institucional para aquilo que o território já construiu e continua construindo”, explicou.
Durante as visitas, agricultores também compartilharam suas expectativas em relação ao projeto. Para a produtora Nágila dos Santos, a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar o valor da produção e fortalecer a permanência das famílias no campo.
“A gente espera aprender mais sobre como melhorar o nosso cacau e conseguir vender melhor o produto. Quando o agricultor consegue valorizar o que produz, isso ajuda toda a comunidade”, afirmou.
Além da apresentação do projeto, as visitas técnicas permitiram identificar desafios comuns enfrentados pelos produtores, como a necessidade de aprimorar etapas do beneficiamento das amêndoas de cacau, fortalecer a organização coletiva e ampliar o acesso a mercados diferenciados.

As informações levantadas durante os encontros servirão de base para o planejamento das próximas etapas do projeto, que incluem a realização de oficinas, intercâmbios, dias de campo e treinamentos voltados à melhoria da qualidade da produção, agregação de valor e comercialização de produtos agroecológicos.
Cada comunidade visitada também apresentou à equipe uma diversidade de cultivos agroecológicos, como frutas, verduras e legumes, além do próprio cacau, e alimentos produzidos a partir dessas matérias-primas, evidenciando a riqueza produtiva e alimentar do território.
O Projeto INOVASUL Bahia é realizado pela Fundagres Inovar em parceria com a COOPCETA e conta com o apoio do Governo Federal por meio de emenda parlamentar do senador Jaques Wagner, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (Termo de Fomento nº 976425/2025).
Foto: Peter Boos.




























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